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Brasil rebate proposta de novos tarifaços dos EUA e ameaça medidas recíprocas
O governo brasileiro emitiu nota oficial criticando duramente a investigação preliminar do USTR (órgão de comércio dos EUA) que sugere práticas comerciais desleais do Brasil. Brasília responde com dados que mostram o superávit americano de US$ 424,5 bilhões nos últimos 15 anos e promete adotar medidas recíprocas se o país sofrer novos tarifaços. O governo também acusa a família Bolsonaro de sabotar negociações entre Lula e Trump.

O Palácio do Planalto respondeu nesta terça-feira (2 de junho) à conclusão preliminar do Escritório de Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) com uma declaração forte de "indignação". A nota oficial rebate acusações de práticas comerciais injustas e deixa claro que o Brasil não aceitará imposições unilaterais — especialmente quando o alvo inclui o PIX, a infraestrutura de pagamentos instantâneos operada pelo Banco Central.
O documento do governo Lula critica o que chama de "ingerência" de setores que trabalham contra os interesses nacionais, mencionando explicitamente a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Brasília argumenta que essa investigação, iniciada em julho de 2025, foi provocada pela família Bolsonaro e atrapalha o diálogo que o presidente Lula vinha mantendo pessoalmente com Donald Trump para resolver questões comerciais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin compareceu a uma coletiva de imprensa para detalhar o posicionamento brasileiro, qualificando como "injusta" a proposta de tarifação. O governo apresenta dados do Bureau of Economic Analysis americano mostrando que os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões de superávit comercial com o Brasil entre 2011 e 2025. Apenas em 2024, o superávit americano foi de US$ 14,46 bilhões em bens — chegando a US$ 40,52 bilhões quando incluídos serviços.
Brasília também aponta que 76% das importações americanas entraram no Brasil em 2025 sem tarifa de importação, e que a alíquota média efetivamente cobrada aos produtos norte-americanos é de apenas 3,1%. Na sequência, o Brasil "se reserva o direito" de recorrer à Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, para adotar medidas contra o que considera situações de injustiça comercial. A negociação entre os dois países segue em andamento, com prazo previsto de 15 de julho para conclusão da investigação da Seção 301.
Fonte: G1 Política
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