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Como as baleias jubarte transformam o Espírito Santo em oportunidade de negócio sustentável

A temporada de observação de baleias jubarte no litoral capixaba movimenta uma cadeia econômica que beneficia marinheiros, artesãos, guias turísticos e pequenos empreendedores. O modelo de "economia azul" — que alia conservação ambiental, pesquisa e geração de renda — faz com que o que antes era exploração do oceano se transforme em oportunidade de trabalho sustentável para a população local.


Economia azul transforma conservação em oportunidades para pequenos negócios no ES

Entre junho e outubro, milhares de baleias jubarte saem da Antártida e vêm se reproduzir no litoral capixaba. Esse fenômeno, que encanta turistas de todo o mundo, virou sinônimo de oportunidade para quem vive no Espírito Santo. Marinheiros como Ruan Nolasco Cardoso, que criou a empresa Capitão Grilo em 2017, encontraram na observação de baleias uma forma de continuar a tradição familiar de viver do mar — mas dessa vez de forma sustentável. "Meu avó fazia esse trabalho décadas atrás. Eu pensei: será que ainda existe espaço para isso hoje? Foi um resgate da história da minha família", conta Ruan.

A chegada das jubartes recoloca em movimento toda uma rede de pequenos negócios. Artesãs como Erani de Oliveira Castro, criadora do Estúdio Ira, veem as vendas disparar em até 90% durante a temporada. Ela produz cangas, lenços e produtos inspirados na fauna marinha que os turistas querem levar como lembrança. Hotéis, restaurantes, agências de turismo receptivo e pesquisadores também se beneficiam. Em 2025, o Festival da Baleia em Vitória gerou cerca de R$ 250 mil em receita para artesãos e comerciantes.

Por trás desse sucesso econômico está a pesquisa científica de ponta. Desde 2020, o Hub Científico Jubarte.Lab, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, utiliza drones e hidrofones para monitorar as baleias e consolidar o estado como referência internacional em conservação de cetáceos. Esse conhecimento permitiu às agências de turismo oferecer passeios com praticamente 100% de chance de avistamento entre julho e outubro. "Primeiro foi preciso entender por onde essas baleias passam, onde elas se concentram e quando chegam ao litoral capixaba", explica Thiago Ferrari, coordenador do Projeto Amigos da Jubarte.

O modelo segue rigorosas normas ambientais: os barcos devem manter distância de 100 metros do animal (200 metros se tiver filhote), respeitar apenas 30 minutos de observação por indivíduo e nunca perseguir a baleia. Capacitações promovidas pelo Projeto Amigos da Jubarte e Sebrae certificam profissionais da cadeia produtiva em biodiversidade marinha, legislação ambiental e turismo regenerativo. A perspectiva é que cerca de 2 mil turistas embarquem em 2026, ampliando ainda mais a movimentação econômica em diversas regiões do estado e reduzindo a sazonalidade do turismo capixaba.

Fonte: G1 Economia

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