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Da bola para o agrofunk: conheça MC Peão, o fenômeno que conquistou o Brasil com "Peão Todo Tatuado"
Jeninho, 25 anos, trocou o sonho de ser jogador de futebol pela música e virou sensação do agrofunk. Filho de produtor sertanejo renomado, o artista passou por composições de sucesso até estourar nacionalmente com "Peão Todo Tatuado", que chegou ao 3º lugar do Spotify. Sua história é de determinação, pivôs criativos e a força de acreditar que às vezes o caminho menos óbvio é o que realmente te leva ao palco.

Jenner de Melo Barboza Filho cresceu com uma bola aos pés — literalmente. Dos 6 aos 15 anos, futebol era tudo na vida do menino goiano. Treinava, sonhava, respirava o jogo. Mas aos poucos foi percebendo o que poucos admitem: sem conexões no meio, a carreira profissional virava montanha impossível. "Não era só jogar futebol", explica Jeninho. "Toda uma engrenagem tem que girar para as coisas darem certo." Aquela mesma engrenagem que ele começava a enxergar, de perto, no estúdio de seu pai — Jenner Mello, produtor de peso no sertanejo, presente em mais de duas mil faixas.
Ali naquele estúdio, ao invés de perseguir um sonho cada vez mais distante, Jeninho encontrou seu verdadeiro chamado. Viu a criatividade em ação, o trabalho de seleção de repertório, artistas se conectando. Fechou os olhos e mergulhou em estudos musicais, aprendendo desde zero: canto, dança, teatro, instrumentos. Antes de virar cantor, virou compositor. Esse era seu pão de cada dia — escrever sucessos para nomes como Naiara Azevedo, John Amplificado e Humberto & Ronaldo. O hit "Chega e Senta", de John Amplificado, até ficou em 1º lugar algumas semanas em 2021. Mas no backstage, por mais brilho que o sucesso de outros tivesse, faltava algo: era ele mesmo faltando no palco.
O ponto de virada veio quando percebeu que tinha voz própria — e que essa voz podia ser diferente. Em 2023, durante um show para a dupla Ícaro & Gilmar em Goiânia, Jeninho colocou um chapéu sertanejo e cantou. O público pirou. Seu pai sonhou com ele usando chapéu. Um amigo confirmou: "Você canta funk aqui, tem que ser um MC de chapéu". Tudo clicou. Nasceu assim o agrofunk — funk com sotaque de sanfona — e nasceu MC Peão. A música "Chapeluda" viralizou. Depois veio a Festa do Peão de Barretos, em 2025, onde acampou numa barraca durante dez dias dormindo em colchão de ar murcho, dividindo seu sonho com quem passava. Saiu de lá com 200 mil seguidores, contra os 50 mil que levou.
Mas o verdadeiro estouro? Aconteceu há poucas semanas com "Peão Todo Tatuado", parceria com Mariana Fagundes que subiu até o 3º lugar do Spotify. Jeninho compôs a faixa em poucas horas, exausto de uma sequência de shows, mas algo dizia que aquela era a música da vida dele. O refrão — aquele "peeeeeeãoooo" que não sai da cabeça de ninguém — provou que o instinto do ex-compositor agora cantor tinha razão. Hoje, MC Peão enfrenta o maior desafio de sua carreira de forma paradoxal: sua música está em todo canto do Brasil, tocando nos rádios e playlists nacionais. A pergunta que o tira do sossego é simples e brutal: "Será que as pessoas sabem quem canta?". Por enquanto, ele roda o país compondo diariamente, sem se cobrar pelo próximo hit, tranquilo na confiança de que sabe fazer sua parte — agora é questão de o rosto virar tão icônico quanto a voz.
Fonte: G1 Pop & Arte
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