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Estados Unidos classificam PCC e CV como terroristas; Polícia Federal chama de "surpresa" e "equívoco técnico"

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reagiu com surpresa à decisão dos EUA de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas globais. Ele argumenta que equiparar crime organizado com terrorismo é um erro técnico e que a mudança pode criar entraves burocráticos na cooperação entre Brasil e Estados Unidos, mas garante que não afetará o trabalho interno da PF.

'Para nós, foi uma surpresa', diz diretor da PF sobre classificação de PCC e CV como terroristas

O diretor da Polícia Federal reagiu nesta terça-feira à formalização americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como entidades terroristas globais. Segundo Andrei Rodrigues, a decisão foi inesperada tanto pela instituição quanto pelo governo brasileiro. "Para nós, é uma surpresa termos essa declaração. Essa tentativa de equiparar crime organizado com terrorismo, na nossa avaliação, é um equívoco técnico", declarou em entrevista.

A classificação, oficializada na sexta-feira anterior pela OFAC (órgão ligado ao Tesouro americano), coloca as duas facções cariocas e paulistas no mesmo patamar de cartéis internacionais de narcotráfico, como o Cartel de Sinaloa. As organizações agora são designadas como "Terroristas Globais Especialmente Designados" (SDGTs), e receberão também a classificação de "Organizações Terroristas Estrangeiras" (FTOs) a partir de 5 de junho.

Andrei enfatizou que a decisão americana não alterará o modo como a Polícia Federal trabalha no combate a essas facções no território brasileiro. Porém, reconheceu preocupações legítimas com possíveis complicações na cooperação bilateral. "Precisamos aguardar como os Estados Unidos vão trabalhar essa temática. Pode haver embaraços burocráticos, como uma mudança das agências que vão interagir com o Brasil", alertou o diretor. Ele reforçou que a PF colabora ativamente com 196 países na Interpol e mantém presença em agências internacionais, reafirmando a disposição brasileira para cooperação no combate ao crime organizado conforme a legislação brasileira.

O posicionamento reflete a tensão diplomática entre Brasília e Washington sobre a classificação: enquanto os EUA buscam ferramentas mais robustas contra o crime organizado transnacional, o Brasil entende que a medida pode prejudicar a soberania nacional e a efetividade operacional das instituições de segurança pública.

Fonte: G1 Política

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