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EUA investiga PIX e acirra tensão com Brasil em disputa global por pagamentos digitais
O governo Trump concluiu investigação que acusa o PIX de prática comercial "desleal" que prejudica empresas americanas de cartões. A ação abre caminho para possíveis sanções comerciais contra o Brasil, gerando preocupação entre Brazilians nos EUA que acompanham a escalada de tensões diplomáticas entre Washington e Brasília, particularmente sobre temas que afetam o sistema financeiro e bancário brasileiro.

O Escritório do Representante Comercial americano (USTR) encerrou investigação que questiona o PIX, o sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central brasileiro. Os EUA argumentam que o Brasil adota práticas "irracionais" ou "discriminatórias" contra empresas americanas de pagamento ao favorecer o PIX — incluindo o fato de o Banco Central atuar como regulador e operador, a obrigatoriedade da oferta por grandes instituições e o destaque garantido nos aplicativos dos bancos. A decisão preliminar abre caminho para possíveis medidas comerciais, embora não resulte automaticamente em sanções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retrucou com força na terça-feira (2), defendendo o PIX em evento em Goiás, afirmando: "O PIX é do Brasil" e "ninguém vai fazer a gente mudar o PIX". O governo brasileiro classificou as acusações como injustificadas e reafirmou que o PIX é infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras. A posição americana reflete pressão do lobby de empresas como Visa e Mastercard, que reclamam que perderam mercado desde a criação do PIX em 2020.
O episódio integra cenário maior de deterioração nas relações Brasil-EUA. Na mesma semana, Washington classificou as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas — medida que preocupa o governo brasileiro e instituições financeiras, que temem novas pressões sobre o PIX e bloqueios a bancos brasileiros. Especialistas apontam que a proximidade das eleições presidenciais americanas em outubro amplia o risco de medidas comerciais e políticas ainda mais agressivas.
Apesar da acusação de concorrência desleal, os dados mostram que o PIX complementou — não substituiu — os cartões de crédito no Brasil. O volume em transações com cartões cresceu 125% desde 2020, passando de R$ 2 trilhões para R$ 4,5 trilhões. Com mais de 175 milhões de usuários cadastrados e usado por 93% da população adulta, o PIX responde por quase metade de todas as transações financeiras do país. A India (UPI), China (Alipay e WeChat Pay) e agora Brasil buscam autonomia digital, reduzindo dependência de infraestruturas estrangeiras — tendência que só se intensifica após casos como a exclusão de bancos russos do Swift.
Fonte: G1 Economia
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