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Governo americano faz interferência explícita nas eleições do Brasil, mas estratégia pode "sair pela culatra", diz Planalto
Assessores próximos ao presidente Lula alertam que a administração Trump está se envolvendo abertamente nas eleições brasileiras de 2026, associando-se a Flávio Bolsonaro enquanto a população rejeita o presidente americano. Apesar dos movimentos concretos — desde encontros na Casa Branca até ameaças de tarifas — o Palácio do Planalto avalia que essa estratégia pode prejudicar os interesses americanos no Brasil.

Auxiliares do presidente Lula avaliam que setores ideológicos do governo dos Estados Unidos, liderados pelo secretário de Estado Marco Rubio, iniciaram uma campanha explícita para influenciar o processo eleitoral brasileiro. Segundo o núcleo do Planalto, essa interferência carrega um risco concreto de fracasso justamente porque existe forte rejeição da população brasileira ao presidente Trump — e essa rejeição acaba sendo transferida para candidatos associados a ele, como o senador Flávio Bolsonaro.
Nos últimos dias, pelo menos seis episódios reforçaram essa percepção de interferência: o encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump na Casa Branca; a classificação de facções brasileiras (PCC e Comando Vermelho) como organizações terroristas após pedido de Flávio; a indicação do republicano Daniel Perez como embaixador americano no Brasil; a proposta de impor tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras; posts de Trump elogiando Flávio publicados no mesmo dia do anúncio das tarifas; e declarações do secretário de Estado afirmando que o Brasil não é aliado dos Estados Unidos.
A fala de Rubio foi particularmente provocadora: ele mencionou explicitamente que o Brasil estava "no meio de um ciclo eleitoral" enquanto listava o país como exceção na "coalizão de países amigos" das Américas — colocando-o ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Interlocutores próximos a Lula interpretam isso como uma ameaça velada disfarçada de diplomacia. "Os gestos do governo americano já são concretos demais, mas a fala do Rubio é explícita. Não há qualquer sutileza", avalia um importante assessor do Planalto.
Para o governo brasileiro, a estratégia americana pode se voltar contra si mesma: quanto mais Trump e sua administração se alinhem com a direita brasileira, mais os eleitores rejeitarão esses candidatos. É uma lição que o Planalto tira da própria trajetória política no Brasil — interferência externa costuma gerar ressentimento na população.
Fonte: G1 Política
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