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Influenciadores transformam anabolizantes em show nas redes sociais; morte de Gabriel Ganley reacende alerta

Criadores de conteúdo brasileiros estão transformando o uso de anabolizantes em entretenimento nas redes sociais, normalizando um comportamento perigoso através de vídeos descontraídos, quadros de competição e aplicações de injeções ao vivo. A morte do influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, reavivou o debate sobre os riscos reais dessa tendência, enquanto o mercado de hormônios registra crescimento explosivo de mais de 700% nos últimos sete anos.

'Show dos hormonizados': influencers fazem uso de anabolizantes virar espetáculo nas redes

Aplicações de injeções diante das câmeras, brincadeiras sobre "tomar suco" (expressão em código para anabolizantes) e competições sobre quem consegue convencer jurados que realmente usa hormônios: essa é a realidade do novo "show dos hormonizados" que bombarda as redes sociais brasileiras. O fenômeno transformou o que antes era feito nos bastidores das academias em conteúdo de entretenimento que atrai milhões de seguidores, especialmente entre jovens interessados em fitness.

Gabriel Ganley ficou famoso como "Bebezinho Natural" justamente por treinar sem usar anabolizantes. Mas conforme sua popularidade cresceu, o influenciador anunciou que começaria a usar hormônios para acelar os ganhos musculares — e a comunidade acompanhou essa transição como se fosse um evento. Em vídeos, ele relatou sensações de envelhecimento precoce e até reconheceu que poderia reduzir sua expectativa de vida, mas tudo continuava sendo tratado de forma leve e descontraída. Aos 22 anos, Gabriel faleceu, e um laudo preliminar apontou morte súbita por problema cardíaco, ainda sob investigação da Polícia Civil de São Paulo.

Médicos e especialistas alertam que essa normalização é extremamente perigosa. Os hormônios podem provocar alterações cardiovasculares graves, incluindo crescimento do músculo cardíaco e aumento da viscosidade do sangue — fatores que levam a complicações sérias. "Não tem evidência científica de uso seguro disso", frisa um especialista ouvido pela reportagem. A lógica por trás dessa tendência é simples: corpos mais musculosos rendem mais visualizações, mais engajamento, mais audiência. A pressão por resultados em um ambiente tão competitivo acaba levando criadores de conteúdo e atletas a fazerem "aquilo que normalmente não fariam para alcançar aquilo que queriam".

O Brasil vive uma expansão sem precedentes do mercado de hormônios — a venda legal de testosterona cresceu mais de 700% em sete anos. Enquanto isso, nas redes sociais, expressões como "ciclo" e "hormonizado" passaram a fazer parte do vocabulário comum de milhares de jovens que acompanham esses criadores. O tom humorístico e informal ajuda a diminuir a percepção dos riscos reais. Mesmo após a morte de Gabriel Ganley, influenciadores e atletas entrevistados afirmam que não pretendem abandonar o uso e acreditam que existe uma forma "correta" de usar essas substâncias — uma ilusão que os especialistas apontam como particularmente arriscada.

Fonte: G1 Pop & Arte

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