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Joyce Moreno resgata clássico de resistência em apresentação memorável no Rio
A cantora e compositora carioca Joyce Moreno levou ao Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, o show "Passarinho urbano", uma celebração musical que resgata o álbum cult lançado em 1976 em Roma durante a ditadura militar. Com voz e violão, Joyce percorreu sambas de engajamento social e político, homenageando grandes nomes da MPB como Chico Buarque, Milton Nascimento e Paulinho da Viola, em um espetáculo que costura história, resistência e poesia brasileira.

O show "Passarinho urbano" pousou no palco do Teatro Ipanema na noite de terça-feira, 2 de junho, quase sete anos após sua estreia em 2019. O nome homenageia o álbum histórico que Joyce Moreno gravou em Roma em 1975, a convite do produtor italiano Sergio Bardotti, reunindo composições de artistas censurados durante a ditadura que enforquecia o Brasil desde 1964. Lançado discretamente em 1976, o disco se tornou cult ao longo de cinco décadas e agora ganha novo vigor nas mãos da própria intérprete que o originou.
Com um violão admirado até por Tom Jobim, Joyce Moreno cativou o público ao abrir a noite a capella com "Joia", de Caetano Veloso, e prosseguiu tecendo uma teia minuciosa de 30 músicas conectadas por fios temáticos inteligentes. O repertório não foi a acaso: cada música dialoga com a seguinte, construindo um painel visual e social do Brasil — desde a violência urbana de "De frente pro crime" até a falta de moradia em "Saudosa maloca", passando pelo legado feminino em "Mulheres do Brasil" e até mesmo pelo humor político em "Homenagem ao malandro", de Chico Buarque.
A engenhosidade do roteiro refletiu o compromisso político que Joyce compartilhou com mártires da MPB como Nara Leão — várias canções do show (entre elas "Opinião", "Pede passagem" e "Favela") frequentaram o repertório da icônica intérprete entre 1964 e 1966, anos de resistência contra a ditadura. Joyce não faz panfleto: deixa as letras falarem pelo Brasil ainda injusto, ainda longe do ideal de democracia vislumbrado há 50 anos.
Encerrou a noite de forma comovente, cantando a capella "Juízo final" — o samba de Nelson Cavaquinho — em tom de oração, com o público acompanhando em coro esperançoso. Era puro amor à MPB e ao povo brasileiro, materializado no palco onde a voz e o violão de Joyce Moreno reafirmaram que a música segue sendo arma de verdade num país que ainda dói.
Fonte: G1 Pop & Arte
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