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Novo El Niño se aproxima do Brasil: será que o país está pronto para mais enchentes e secas?
Meteorologistas alertam para a formação de um novo El Niño no Pacífico que pode trazer mais chuvas ao Sul e secas intensas ao Norte e Nordeste do Brasil ainda este ano. A preocupação é grande porque a maioria das comunidades vulneráveis segue sem preparação adequada e investimentos insuficientes em adaptação, deixando milhões de brasileiros expostos aos impactos dos eventos climáticos extremos.

Satélites e sensores oceânicos já detectam os sinais de um novo episódio de El Niño se formando no Pacífico equatorial. Os cientistas apontam 90% de probabilidade do fenômeno ocorrer com intensidade de moderada a forte nos próximos meses. De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo e do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), os primeiros impactos devem chegar ao Brasil entre a primavera e o verão, com padrões previsíveis: chuvas intensas no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, enquanto o Norte e Nordeste enfrentam secas severas que podem favorecer queimadas na Amazônia e prejudicar a produção agrícola.
A lembrança das tragédias de 2024 ainda machuca. O Rio Grande do Sul sofreu a pior inundação de sua história quando a combinação de um El Niño intenso com outros eventos climáticos provocou chuvas extremas. As periferias foram devastadas, expondo a vulnerabilidade das comunidades pobres que, segundo especialistas e ativistas sociais, recebem investimentos insuficientes em prevenção e adaptação. "Não temos quase nada pronto para adaptar nossas comunidades a esse cenário", denuncia Thaynah Gutierrez, da Rede por Adaptação Antirracista, apontando que os governos parecem mais preocupados agora, mas as ações concretas ainda são tímidas.
O maior desafio não está em prever se haverá enchentes ou secas — os cientistas já sabem que haverá. O problema é que o Brasil insiste em reagir a cada crise em vez de construir uma capacidade permanente de resiliência. Especialistas argumentam que cidades, infraestruturas e sistemas produtivos deveriam estar continuamente preparados, com licitações e contratos para resposta a desastres já realizados antecipadamente. Adicione-se a isso a confusão de mensagens desencontradas nas redes sociais — previsões de influenciadores e consultorias privadas com interesses variados — e você tem uma população desorientada sobre quais informações confiar e que medidas tomar.
Santa Catarina decretou estado de alerta climático até novembro, mas simultaneamente cortou drasticamente os investimentos em prevenção: em 2025, apenas 15,4% dos recursos orçados foram executados. Para especialistas e lideranças comunitárias, a hora de agir é agora — não quando a próxima tragédia chegar. "Precisamos cobrar dos governos em todos os níveis para que priorizem os territórios mais vulneráveis e invistam de verdade em preparação", conclui Gutierrez. Para quem vive nas periferias das grandes cidades, um novo El Niño não é uma curiosidade meteorológica — é um aviso de que a próxima tragédia pode estar mais próxima do que gostaríamos.
Fonte: G1 Economia
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