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PF apreende recorde de R$ 28,6 milhões em 2024: a luta contra a corrupção eleitoral no Brasil

Em dez anos de operações contra crimes eleitorais, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 43 milhões em espécie, com 2024 marcando um recorde histórico. Os investigadores descobriram esquemas sofisticados envolvendo empresários e políticos em diferentes regiões do Brasil, revelando como o dinheiro desviado das campanhas depois alimenta a corrupção na gestão pública.

PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral

A Polícia Federal alcançou números impressionantes no combate à corrupção eleitoral: nos últimos dez anos, confiscou R$ 43 milhões em dinheiro vivo durante operações contra crimes relacionados ao processo eleitoral. Para ter uma dimensão do valor, se as cédulas de R$ 100 fossem empilhadas, formariam uma torre do tamanho de um prédio de 14 andares — quantia suficiente para construir vinte Unidades Básicas de Saúde. O pico dessas apreensões aconteceu em 2024, quando os agentes recolheram sozinhos R$ 28,6 milhões, um salto dramático comparado a 2022 (R$ 5 milhões) e 2020 (R$ 2 milhões).

A análise de mais de mil ocorrências desde 2016 mostra que a Região Norte concentra quase metade do dinheiro confiscado, com R$ 18 milhões, seguida pelo Nordeste (R$ 12,8 milhões) e Sudeste (R$ 10 milhões). Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em Manaus, onde o empresário Francisco Timoteo Castro e seu filho foram pegos em flagrante sacando R$ 3 milhões em uma agência bancária — dinheiro que, segundo a investigação, vinha de esquemas envolvendo contratos públicos de livros didáticos. Apesar de confessarem o crime de "caixa 2", a Justiça depois devolveu o valor após acordo judicial.

Outro exemplo revelador aconteceu em São Lourenço do Piauí, onde o prefeito eleito Biraci Damasceno admitiu publicamente, pela rádio local, ter gastado cerca de R$ 1 milhão só em sua campanha, enquanto seu grupo político movimentou R$ 4 milhões. Áudios de seu vice confirmaram a prática de compra de votos. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral cassou a chapa, mas Bira permanece influente — agora como chefe de gabinete de seu sobrinho, o prefeito atual.

O custo dessa corrupção é pago pela população: em São Lourenço do Piauí, menos de 1% das casas tem acesso à rede de esgoto e os servidores sofrem atrasos salariais crônicos. Promotores alertam que o dinheiro confiscado vem frequentemente de fraudes em licitações e desvios de obras públicas, alimentando um ciclo onde a corrupção eleitoral se transforma em corrupção de gestão. Como explica o promotor Guilherme Franchi, o candidato que investe ilegalmente na campanha depois precisa "recuperar" esse investimento no cargo, perpetuando a máquina da corrupção.

Fonte: G1 Política

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