Fica Ligado
Pix na mira: entenda por que Trump ataca o sistema de pagamentos brasileiro
O governo dos EUA concluiu uma investigação comercial acusando o Pix de prejudicar empresas americanas de pagamento eletrônico, propondo tarifas de 25% em produtos brasileiros. O sistema, criado pelo Banco Central em 2020 durante o governo Bolsonaro, tornou-se um sucesso internacional com mais de 93% dos brasileiros usando a tecnologia, mas isso incomodou as big techs americanas que veem o Pix como uma ameaça à sua hegemonia no mercado de pagamentos digitais.

A semana começou quente para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump divulgou a conclusão de uma investigação que acusa o Pix de prejudicar "injustamente" empresas americanas de pagamento. Segundo a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o Banco Central estaria criando um conflito de interesses ao ser tanto regulador quanto operador do Pix, exigindo que instituições financeiras com mais de 500 mil contas ofereçam o sistema sem taxas e com destaque na tela inicial dos aplicativos.
Como resposta, o presidente Lula apareceu em um evento em Goiás com um cartaz que dizia "O Pix é do Brasil" e desafiou Trump a implementar o sistema nos EUA, em vez de atacá-lo. O presidente petista criticou o aumento de 25% nas tarifas propostas pelos americanos como uma "atitude intempestiva" durante negociações. Até Flávio Bolsonaro entrou no jogo político, exibindo em Minas Gerais um cartaz que reivindicava autoria do Pix para seu pai.
Mas a história do Pix é bem mais complexa que a narrativa política. O sistema começou a ser desenvolvido ainda no governo Michel Temer, em maio de 2018, quando o Banco Central instituiu um grupo de trabalho com mais de 130 participantes. Os requisitos fundamentais foram aprovados em dezembro de 2018, no último mês do governo Temer. A infraestrutura tecnológica começou a ser desenvolvida a partir de outubro de 2019, já na gestão Bolsonaro, e o lançamento oficial aconteceu em novembro de 2020. Curiosidade: até um mês antes do lançamento, Bolsonaro desconhecia o sistema — quando um apoiador o parabenizou, ele achou que era algo relacionado à aviação civil.
O Pix explodiu em adoção. Hoje, mais de 170 milhões de brasileiros — cerca de 80% da população — já fizeram uma transferência. Em janeiro de 2026 foram 7 bilhões de transações, e em dezembro de 2025 o sistema registrou 313 milhões de operações em um único dia. O sucesso beneficiou bancos digitais e fintechs nacionais, transformando o Brasil em referência internacional. Até o Nobel de Economia Paul Krugman elogiou o Pix por oferecer o que criptomoedas prometem — inclusão financeira e custos baixos — sem os problemas de sequestro e tortura associados às chaves de criptografia. A Febraban defende que o Pix é uma infraestrutura de pagamento que favorece a competição, não um produto comercial discriminatório. As negociações sobre as tarifas americanas continuam até 15 de julho.
Fonte: G1 Economia
Seja o primeiro a comentar.
Entre com seu e-mail para comentar




Comentários