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União Europeia proíbe carne brasileira a partir de setembro e ameaça US$ 2 bilhões em vendas
A União Europeia oficializou a exclusão do Brasil de sua lista de países autorizados a exportar carne, alegando falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, que entra em vigor em 3 de setembro, deve impactar exportações de carnes vermelha e de frango, mel e outros produtos que movimentam quase US$ 2 bilhões anuais. O Brasil negocia para reverter a decisão, mas terá que comprovar controle rigoroso no uso desses medicamentos veterinários.

O bloco europeu comunicou formalmente na última sexta-feira que o Brasil saiu da lista de países considerados adequados aos padrões comunitários sobre antimicrobianos utilizados na criação de animais. Com isso, a partir de 3 de setembro, está proibido exportar carne bovina, de frango, miúdos, peixe, mel e outros produtos para os 27 países da União Europeia. Em 2025, o Brasil vendeu 368,1 mil toneladas de proteínas animais para o bloco, gerando US$ 1,8 bilhão em receitas — com a carne bovina respondendo por US$ 1 bilhão e a carne de frango por US$ 762 milhões.
Segundo especialistas, a decisão europeia não está associada a um antimicrobiano específico, mas a exigências muito mais rigorosas de rastreabilidade, fiscalização e conformidade sanitária em toda a cadeia exportadora. A UE restringiu fortemente o uso de substâncias como avoparcina, virginiamicina, bacitracina e tilosina, principalmente para fins não terapêuticos e como estimuladores de crescimento animal. O Brasil, reconhecendo parte dessa demanda, já proibiu alguns desses medicamentos em abril deste ano, mas isso não foi suficiente para manter a autorização europeia.
O Ministério das Relações Exteriores está em negociações intensas com Bruxelas para tentar reverter a proibição, ao menos parcialmente. Para voltar à lista, o Brasil tem duas opções: restringir legalmente o uso de todos os antimicrobianos bloqueados pela UE ou comprovar que a carne exportada não contém esses resíduos — o segundo caminho é mais complexo, custoso e depende de sistemas de rastreabilidade ainda mais sofisticados. Uma vez que o Brasil demonstre conformidade, poderá retomar as exportações mesmo que isso ocorra após setembro.
A exclusão do Brasil é particularmente relevante porque a União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras, ficando atrás apenas da China. Enquanto Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para o bloco, a situação reforça a urgência de o Brasil adequar suas práticas de controle de antimicrobianos — uma tendência que a Europa sinalizava desde 2019, mas que agora se materializou em restrição comercial concreta.
Fonte: G1 Economia
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