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YouTubers domam bilheterias de terror nos EUA e conquistam Brasil com "Backrooms" e "Obsessão"
Dois filmes de terror dirigidos por criadores do YouTube — "Backrooms: Um não-lugar" de Kane Parsons e "Obsessão" de Curry Baker — explodem nas bilheterias americanas e brasileiras, marcando o auge de um fenômeno de Hollywood que está descobrindo talentos na plataforma de vídeos. Os filmes, feitos com orçamentos enxutos, arrecadam mais de US$ 80 milhões e US$ 26 milhões nos EUA respectivamente, e a tendência de estúdios investirem em cineastas YouTubers segue em alta.

"Backrooms: Um não-lugar" fez história no último fim de semana ao arrecadar mais de US$ 80 milhões (cerca de R$ 403 milhões) entre os dias 29 e 31 de maio — muito acima das previsões de especialistas, que estimavam entre US$ 40 e US$ 50 milhões. O filme do jovem diretor Kane Parsons, apenas com 20 anos, bateu o recorde de maior estreia da distribuidora A24 e arrecadou US$ 118 milhões no mundo inteiro. Lançado a partir de uma série que Kane colocou no YouTube em 2022 com orçamento de US$ 10 milhões, o filme retrata um espaço extradimensional repleto de salas com decoração corporativa, trazendo para as telas uma lenda urbana da internet com elenco que inclui Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.
No segundo lugar fica "Obsessão", que arrecadou US$ 26 milhões no mesmo período — seu terceiro fim de semana em cartaz — e já soma US$ 148 milhões ao redor do mundo. Dirigido por Curry Baker e produzido com orçamento menor que US$ 1 milhão, o filme é um dos maiores sucessos de 2026 justamente porque consegue aumentar seu público semana após semana, algo raro na indústria. O longa conta a história de um jovem que tem seu desejo atendido e passa a ser alvo da obsessão de seu interesse romântico.
O Brasil acompanha a tendência: "Backrooms" estreou com pouco menos de R$ 9,5 milhões em sua primeira semana, enquanto "Obsessão" cresce gradualmente, passando de R$ 2,2 milhões para R$ 2,4 milhões em semanas consecutivas. O fenômeno reflete uma mudança clara em Hollywood, que nos últimos anos descobriu o YouTube como celeiro de talentos para a direção de cinema. Nomes como David F. Sandberg ("Shazam!"), os irmãos Philippou ("Fale comigo") e Mark Fischbach ("Iron lung: Oceano de sangue") já fizeram essa transição com sucesso — Fischbach, aliás, financiou e dirigiu seu próprio filme que rendeu US$ 50 milhões no começo de 2026.
Para Kane Parsons, a plataforma funciona como porta de entrada para criadores que querem ser vistos pelas grandes produtoras. "A gente não tem vaga para todo mundo que quer fazer algo em Hollywood", afirma ele. "O YouTube serve porque todo mundo está na internet — se você quer ser visto, precisa colocar seus projetos lá". A Atomic Monster, produtora de James Wan, esteve envolvida em "Backrooms" desde o início e já tinha experiência com YouTubers desde "Quando as luzes se apagam" (2016). A empresa se fundiu com a Blumhouse Productions em 2022, consolidando ainda mais o investimento da indústria em terror com orçamentos menores. Se o sucesso continuar a crescer como nas últimas semanas, o casamento entre Hollywood e criadores de YouTube está apenas começando.
Fonte: G1 Pop & Arte
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