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Zelle: o "Pix americano" que Eduardo Bolsonaro quer usar como moeda de troca com Trump

Em meio às críticas do governo Trump ao Pix, Eduardo Bolsonaro sugeriu que o Brasil negocie com os EUA mencionando o Zelle, sistema de pagamentos privado operado por bancos americanos. A polêmica revela uma disputa maior: os EUA querem enfraquecer o Pix, que reduz a dependência de empresas estrangeiras e centraliza o controle de dados financeiros no Brasil.

'Pix americano'? O que é o Zelle, sistema de pagamentos defendido por Eduardo Bolsonaro para negociação entre Brasil e EUA

Eduardo Bolsonaro, vivendo nos EUA há mais de um ano, afirmou em entrevista que o Brasil poderia "ir para uma mesa de negociação" com argumentos fortes, citando o Zelle como exemplo de sistema de pagamentos similar ao Pix. A sugestão vem enquanto a administração Trump pressiona o Brasil com uma possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, acusando o Pix de prejudicar empresas americanas de pagamento eletrônico.

O governo americano critica o papel duplo do Banco Central brasileiro — simultaneamente regulador e operador do Pix — e questiona exigências como a participação obrigatória de grandes instituições financeiras. Esses argumentos geraram críticas de parlamentares do PT, que acusam os Bolsonaros de querer "entregar" o Pix público aos americanos.

O Zelle, operado desde 2017 pela Early Warning Services (copropriedade de sete dos maiores bancos dos EUA), é um sistema privado disponível em mais de 2,4 mil apps bancários americanos. Diferentemente do Pix — usado por 170 milhões de brasileiros e movimentando R$ 35,4 trilhões em 2025 — o Zelle atingiu 151 milhões de usuários registrados em 2024. Enquanto o Pix processa transferências em segundos, o Zelle demora "alguns minutos" e pode sofrer atrasos. Ambos permitem transferências por e-mail ou telefone, mas o Pix é 24/7 e gratuito para pessoas físicas; o Zelle pode cobrar taxas dependendo do banco.

Por trás da disputa comercial está a questão da soberania: especialistas apontam que os EUA temem sistemas de pagamento públicos que reduzem a dependência de infraestruturas privadas estrangeiras e centralizam o controle de dados financeiros. O Pix representa um modelo de infraestrutura pública que ameaça o domínio histórico de empresas como Visa, Mastercard e das próprias plataformas americanas de pagamento. Essa mesma lógica afeta outros países em desenvolvimento, como Índia e Tailândia, alvo de críticas semelhantes dos EUA por fortalecerem sistemas domésticos.

Fonte: G1 Economia

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