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Crianças com deficiência no Brasil enfrentam barreira invisível na adoção: nenhuma foi adotada no Piauí desde 2019

Entre 2019 e 2026, o Piauí registrou 210 adoções, mas nenhuma envolveu crianças ou adolescentes com deficiência física ou intelectual. Em todo o Brasil, menos de 3% das adoções são de crianças com deficiência, revelando um problema grave de capacitismo e preconceito que afeta essas crianças na busca por uma família.

PI registrou 210 adoções desde 2019, mas sem casos de crianças e adolescentes com deficiência física ou intelectual

Os números são alarmantes e refletem uma realidade cruel: enquanto 210 crianças e adolescentes foram adotadas no Piauí nos últimos anos, nenhuma delas tinha deficiência física ou intelectual. Segundo o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), em todo o Brasil apenas 645 crianças com deficiência intelectual foram adotadas (1,9% do total), 286 com deficiência física (0,8%) e 180 com ambas (0,5%). No estado nordestino, atualmente estão disponíveis 55 crianças e adolescentes para adoção — entre eles, seis têm deficiência física e intelectual, e três têm apenas deficiência intelectual.

A advogada especialista em Direitos das Pessoas com Deficiência, Laura Nascimento, não tem dúvida sobre a causa desses números baixíssimos: capacitismo e idealização de perfis. "A deficiência ainda é vista por muitas pessoas como um obstáculo para a construção de vínculos familiares", explica Laura, que também é mãe atípica. Ela aponta que o medo do desconhecido e a falta de informação afastam potenciais adotantes, criando uma barreira quase intransponível para crianças com deficiência.

Para mudar esse cenário, especialistas defendem uma mudança cultural urgente. "É preciso incentivar uma cultura de adoção baseada no acolhimento, não em perfis idealizados", diz Laura. Ela destaca que muitas famílias que já adotaram crianças com deficiência relatam experiências profundamente transformadoras. "A deficiência não define uma criança. Ela possui sonhos, afeto, personalidade, desejos e capacidade de desenvolver relações familiares como qualquer outra", reforça a especialista, lembrando que adoção é, antes de tudo, um encontro de afetos e oportunidades mútuas de crescimento.

Fonte: G1 Geral

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