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Desperdício de alimentos no Brasil: enquanto 7 milhões passam fome, comida é jogada no lixo

O Brasil enfrenta um paradoxo assustador: desperdiça toneladas de alimentos todo dia enquanto milhões de pessoas lutam contra a fome. Especialistas apontam que falhas na cadeia produtiva, desde o campo até as prateleiras dos supermercados, e hábitos de consumo contribuem para perdas que encarecem a comida e prejudicam o meio ambiente.

Do campo à geladeira: por que há tanto desperdício de alimentos, enquanto milhões passam fome no Brasil

A realidade é dura: enquanto quase 7 milhões de brasileiros enfrentam fome severa e 18,9 milhões de famílias sofrem algum grau de insegurança alimentar, o país desperdiça quantidades astronômicas de alimentos em cada etapa da cadeia. A ONU calcula que o mundo perde cerca de 1 bilhão de toneladas de comida por ano, e o Brasil tem sua parcela nesse desperdício.

No campo, os problemas começam cedo. Falta de planejamento, mudanças climáticas, pragas, tecnologia deficiente e pressão por padrões estéticos (frutas e verduras sem manchas, tamanho específico) fazem com que muito alimento nunca saia da lavoura. Além disso, quando a safra é boa demais, os preços caem tanto que não compensa colher. Pesquisadores da Embrapa alertam que a logística inadequada — como transportar hortaliças sem refrigeração — também causa perdas significativas.

No varejo e supermercados, a situação piora. Os varejistas compram grandes volumes, frequentemente sem considerar o que será perdido. O sistema de consignação com agricultores transfere o risco para o produtor: se 500 caixas de morango chegam na loja e apenas 300 são vendidas, o agricultor recebe só por 300, enquanto o varejista não tem prejuízo. O resultado? 427 milhões de toneladas de alimentos perdidos anualmente no comércio e restaurantes, segundo a ONU.

Em casa, o desperdício atinge 631 milhões de toneladas por ano. Aí entram hábitos culturais brasileiros: a preferência por comprar "fartura" — mais comida do que o necessário — e o estoque preventivo motivado pela histórica inflação do país. Muita gente compra frutas e verduras de qualidade inferior em lugares mais baratos, que estragem rápido em casa. Tudo isso torna os alimentos mais caros para quem menos tem. Reduzir o desperdício poderia baratear comida básica e ajudar os mais pobres, dizem especialistas.

Fonte: G1 Economia

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