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Flávio Bolsonaro apela ao secretário de Estado americano contra novas tarifas comerciais
O senador Flávio Bolsonaro enviou carta a Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, pedindo que Washington não imponha novas tarifas comerciais ao Brasil. A iniciativa expõe preocupação com o desgaste político que sanções econômicas americanas poderiam causar em sua pré-campanha presidencial, em contexto de crise fiscal brasileira com dívida pública superior a 80% do PIB.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, divulgou nesta terça-feira um ofício encaminhado ao secretário de Estado americano Marco Rubio alertando sobre os riscos de novas tarifas comerciais contra o Brasil. No documento, redigido em inglês, Bolsonaro argumenta que o país atravessa uma grave crise fiscal, com dívida pública que ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia — alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, com projeções de atingir 83,7% até o final do ano. O senador também destaca que 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes e que recuperações judiciais de empresas atingiram recorde histórico em 2025.
A medida americana em questão foi anunciada após investigação sobre práticas comerciais brasileiras, com proposta de tarifa de 25% contra o país. Flávio argumenta que novas barreiras comerciais prejudicariam justamente a população que vê os Estados Unidos como parceiro e amigo do Brasil. Na carta, o senador também agradece a decisão americana de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas — posição defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores políticos, a iniciativa é interpretada como sinal de preocupação com o impacto que sanções econômicas americanas poderiam causar à imagem de Flávio e ao seu grupo político. Especialistas apontam que ganhos políticos obtidos com a pauta de segurança pública — através da designação do PCC e CV como terroristas — poderiam ser ofuscados por medidas econômicas prejudiciais à população brasileira. Há também questões sobre até que ponto a atuação de parlamentares brasileiros junto ao governo americano pode expor uma possível interferência externa em temas de impacto doméstico.
Na correspondência, Flávio se apresenta como candidato confiante à eleição de outubro e oferece sua equipe de transição para negociar um amplo acordo de comércio e investimentos com os EUA caso vença as eleições. A resposta de Marco Rubio e os próximos passos da relação entre o governo americano e aliados de Bolsonaro seguem sendo acompanhados de perto pelos brasileiros nas comunidades dos EUA, para os quais tarifas contra o Brasil impactam diretamente na economia e nos negócios.
Fonte: G1 Política
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