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Aposentadoria Brasil-EUA: o acordo que soma seus dois tempos

Trabalhou e contribuiu nos dois países? Desde 2018 existe acordo que soma os períodos pra fechar o direito à aposentadoria. Quem pode usar, o que ele soma (e o que não soma) e como pedir.

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Foto: Tara Winstead / Pexels

Milhões de brasileiros contribuíram anos pro INSS antes de emigrar, e depois anos pro Social Security americano. Até pouco tempo atrás, esses períodos não conversavam: dava pra "perder" anos de contribuição nos dois lados. Desde 1º de outubro de 2018, o Acordo de Previdência Social Brasil-Estados Unidos mudou isso.

O que o acordo faz

O mecanismo central é a totalização: se você não tem tempo suficiente pra se aposentar em um dos países, pode somar os períodos de contribuição do outro pra FECHAR O DIREITO ao benefício. Vale para aposentadoria por idade, por invalidez e pensão por morte, nos dois sentidos (brasileiro nos EUA e americano no Brasil).

Um exemplo do formato: pra ter direito ao benefício do Social Security americano são necessários, em regra, 40 créditos (cerca de 10 anos). Quem tem 7 anos nos EUA e 10 no Brasil pode usar o tempo brasileiro pra completar o requisito americano.

O que o acordo NÃO faz

  • Não soma o valor. Cada país paga a sua parte, proporcional ao que foi contribuído nele. A totalização fecha o direito, não engorda o cheque.
  • Não transfere contribuições de um sistema pro outro.
  • Não aposenta quem nunca contribuiu. Trabalho sem recolhimento (informal nos dois países) não entra na conta de ninguém. Mais um motivo, aliás, pra trabalhar declarado: cada ano de imposto pago nos EUA vira crédito previdenciário seu.

Como pedir

  1. Levante seu histórico nos dois sistemas: o CNIS no Meu INSS (meu.inss.gov.br) e o earnings record na sua conta do SSA (ssa.gov/myaccount)
  2. Quem está nos EUA pede o benefício brasileiro pelo próprio acordo: o pedido pode ser feito junto ao SSA, que encaminha ao INSS (e vice-versa pra quem está no Brasil)
  3. Reúna provas dos vínculos antigos no Brasil (carteira de trabalho, carnês). Buraco no CNIS é o atraso número 1
  4. Pra casos com tempo nos dois países e valores relevantes, um advogado previdenciário que conheça o acordo costuma se pagar

O recado pra quem ainda está longe de se aposentar

O acordo transformou cada contribuição em patrimônio que viaja com você. A decisão de hoje (trabalhar declarado, manter o CNIS limpo, guardar comprovantes) define o tamanho das opções lá na frente.

Fontes oficiais

  • SSA (ssa.gov/international): o texto do acordo e o pedido de benefícios, com página em português
  • INSS (gov.br/inss): acordos internacionais e totalização
  • Meu INSS (meu.inss.gov.br): seu extrato CNIS
  • Consulado-Geral em Washington (gov.br/mre): orientações do acordo Brasil-EUA

Perguntas frequentes

Posso me aposentar nos dois países?

Pode, se fechar os requisitos de cada um (com ajuda da totalização). Cada país paga o benefício proporcional ao que você contribuiu nele. São dois benefícios separados, não um unificado.

Meu tempo de trabalho informal conta?

Não. Só conta período com contribuição registrada (INSS no Brasil, FICA nos EUA). Trabalho declarado com ITIN paga imposto mas só gera crédito de Social Security quando há número e recolhimento válidos. É um dos motivos pra buscar formalização sempre que possível.

Onde faço o pedido morando nos EUA?

O acordo permite pedir o benefício brasileiro através do SSA americano, que encaminha ao INSS. Comece organizando o CNIS no Meu INSS e o earnings record no ssa.gov. Os sites oficiais detalham o fluxo.

Recebo INSS morando nos EUA. Tem problema?

Receber aposentadoria brasileira no exterior é permitido. Atenção às obrigações: prova de vida do INSS (hoje em grande parte automatizada ou pelo app) e o tratamento tributário do benefício nos dois países, que vale conferir com contador.

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